Friday, December 10, 2004

SOL DE NÉON


Fui à Culturgest assistir ao espectácilo de circo/dança/teatro "sublimes". Perturbou-me imenso. O espectáculo fala da violência no mundo, dos vários tipos de agressão. Do desemprego forçado pela desumanidade das multinacionais à violência interfamiliar, da agressão a homossexuais e kosovares e chego a casa perturbado pelo que consegui ver e pelo que me escapou. Tenho pouca cultura, pelo menos muito menos do que gostaria de ter e, principalmente no vocabulário da dança há muita coisa que me escapa e que, por outro lado, se antecipa ao meu pensamento. Seja como for a perturbação causada veio lembrar-me porque é que estou na arte, por que é que escrevo! acho que se nós, os escritores, formos testemunhas do nosso tempo e denunciantes, o mundo pode ser um bocadinho melhor. Em tempos escrevi uma canção que o Pedro Luis e a parede gravaram que era uma denúncia às misérias do Brasil que infelizmente são iguais às misérias de Portugal, que infelizmente são iguais às misérias do mundo inteiro.

SOL DE NÉON
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pedro Jóia

Tem gente que o luar abriga
E dorme mais do que come
Tenta convencer a barriga
Que o sono adormece a fome
Tem gente que por mais que durma
Não deixa de estar acordada
Sabendo que pertence à turma
Das vidas que não valem nada
É gente de Copacabana
Que faz do jornal édredon
Pra quem tanto faz ir em cana
Ou dormir num sol de néon

Tem gente que vive de noite
Tem putas e tem travestis
Com um corpo de silicone
E alma de buritis
Tem gente que brilha no Centro
Como se a rua fosse um palco
E que a polícia leva dentro
Por um pouco de pó de talco
É gente que abre o sorriso
Com a navalha de um batôn
Sabe que viver é preciso
Na fúria de um sol de néon


Tem gente que fuma maconha
Tem gente que pra ser feliz
Prefere morrer de vergonha
Que não morrer por um triz
De noite tem gente que mata
De noite tem gente que morre
Tem gente que come sucata
E afoga a morte num porre
Tem guris de pau de fora
Tem velhos no Trianon
Que querem roubar numa hora
O brilho de um sol de néon

10 comments:

cantadeira said...

Bem...isto é para rir. O

cantadeira said...

Bem...isto é para rir. O

cantadeira said...

Bem...isto é para rir. O

cantadeira said...

Bem...isto é para rir. O

cantadeira said...

Bem...isto é para rir. O

cantadeira said...

Bem...isto é para rir. O

cantadeira said...

Bem...isto é para rir. O

cantadeira said...

Bem...isto é para rir. O

cantadeira said...

Bem...isto é para rir. O

cantadeira said...

Bem...isto é para rir...O Tiago fez-me lembrar a Amaália Rodrigues com essa do "...tenho pouca cultura...". Uma vez, nos inicios dos anos oitenta, estava eu em casa de Amália, e com ela estavam o Alain Oulman, o Belchior, a Rosinha, a Maluda, o David Mourão Ferreira, e quando cheguei já estavam todos em amena cavaqueira, à volta duns bolos secos e dum chá delicioso, que agora não identifico, mas que era quase vermelho. A certa altura sai-se a Amália conm esta, mais ou menos assim: "...Pois é David, vocÊ sabe que eu não tenho cultura nenhuma, mas tenho por vezes aquele condão de ver o lado negativo, lucido se quizer das coisas, tenho cá a impressão que sou um pouco niilista..."
Bom !!! Toda a gente deu uma gargalhada!!! Pois é. A mulher a dizer que não tinha cultura nenhuma e pimba!!! Sai-se logo com aquela do "niilista"!
Nunca mais me esqueci deste e+pisódio.
Assim é você!Diz essas barbaridades e depois escreve coisas assim. Não há quem possa!!!
Valeria Mendez, do blog
www.fadista-valeria-mendez.weblog.com.pt