Monday, June 13, 2005

LISBOA NÃO FOI À ESCOLA



Mais uma vez escrevi as letras da Marcha da Bica que, como já expliquei, são duas. Ontem, tive ainda o privilégio de ser o padrinho da Marcha e de descer a Avenida ao lado da Maria João Quadros. E ainda tive a felicidade de dar à Bica, mais uma vez, o prémio de melhor letra! Graças a Deus!
E nesta marcha que tem música do Joaquim de Brito, de quem ainda vão ouvir falar muito neste blog por ser um músico de primeira água e um ser humano espantoso, fizémos uma homenagem ao poeta Bocage, já que este ano se celebravam não sei quantos anos da morte do poeta. Espero que gostem!
E já agora, e porque esta Marcha fala de liberdade. Aqui fica a minha homenagem ao Àlvaro Cunhal que, como toda a gente sabe, foi adepto de côres muito diversas das minhas mas era um homem com H maiúsculo!

LISBOA NÃO FOI À ESCOLA
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Joaquim de Brito

Quando a Bica foi pra casa
a cidade escureceu
o sol escondeu-se na asa
da gaivota que nasceu
pra queimar num céu em brasa
a saudade que há no céu

Mas quando a Bica adormece
e a cidade anda a rondar
às vezes até parece
que ela quer aqui morar
e a cidade até se esquece
que há mais bairros a cantar

Vamos lá ver como Lisboa reage
se eu lhe mandar um piropo mais picante
arrancado de uma quadra de Bocage
que ele escreveu à mesa de um restaurante
Vamos lá ver se a malícia do poeta
fará corar as pedrinhas da calçada
e então Lisboa que sempre quis ser discreta
escuta o piropo... mas finge não ouvir nada!

Corremos as capelinhas
Santo António e São João
que Lisboa é cá das minhas
quer manter a tradição
de ir aos bairros alfacinhas
comer sardinhas no pão

Mas se a Bica anda perdida
nas esquinas da cidade
vai-se até à Avenida
pra descer a Liberdade
Vai-se até ao fim da vida
entre um fado e uma saudade

Vamos lá ver como Lisboa reage (etc)

Lisboa não foi à escola
não sabe ler nem escrever
mas foi no Café Nicola
que começou a aprender
que a solidão só consola
quem tem medo de viver

Lisboa paga o café
mas não espera pelo troco
teve de o beber em pé
porque o silêncio era pouco
e ela só queria dar fé
à voz de um poeta louco

Vamos lá ver como lisboa reage (etc)

10 comments:

Anonymous said...

Vi esta tarde na RTP O mneino Tiago, todo 'muita lindoo', um gatão....falando sobre as marchas.
E agora vejo esta marcha que não conheço, mas gostava de ouvir, que me parece muito bonita...
Ontem também cantei uma marcha ( a unica que sei) num arraial de Santo Antonio...e adorei.Também parace que o publico gostou; repeti-a três vezes! É que eu não conheço mais nenhuma!!!
Parabens por tudo.Pela marcha, pelos poemas, pelas suas palavras, pela sua 'boniteza'!
Valeria Mendez

Anonymous said...

Caro Tiago, parabéns pela letra e pelo prémio. Desta vez o meu voo foi mais demorado no seu cantinho... Um abraço do Pássaro Distante

João Dias said...

obrigado pelo post no outro blog...
como se consegue escrever para cantores?

Anonymous said...

Passei por aqui para verificar se havia ou não um novo Post. No entanto, lembro-me agora dum comentario que o Tiago fez no meu cantinho, o qual agradeço, porém discordo completamente: Como poderá alguem, um dia, ouvir o meu grito? Se os meus gritos são já apenas lamentos, e a faca do Tempo vai-me cortando, dia a dia, cada vez com mais força, deixando-me cada vez mais prostrada! Na minha idade, não se começa nada, meu Amigo. Apenas - e já é muito - procura-se viver iluminando os nossos caminhos, com algum prazer, com os tais momentos felizes. Ontem, por exemplo tive um desses breves momentos.Cantava num restaurante, e uma senhora belga veio até mim perguntar se eu sabia cantar o fado de Amália "Au bord du Tage". Eu sabia, e fiz-lhe a vontade. A senhora até chorou. Contou-me que fora à beira do Tejo que houvera conhecido o seu marido, português, falecido há dez anos...
Como vê Tiago, tenho os meus momentos felizes. Mas são só estes...assim pequeninos...grandes para mim!
Valeria Mendez, do blog
fadista-valeria-mendez.weblog.com.pt

Anonymous said...

Passei por cá de novo, para me deter em muitos poemas que já havia lido mas que me apeteceu reler e saborear...É assim quando arranjamos um tempinho para as coisas que nos dão prazer
E já agora PARABENS pelo prémio da MArcha e pelo facto de ter uma artista como a Maria José Valerio a interpretá-lo. Não a conheço pessoalmente mas tenh9o dela a melhor das impressões. Um beijo para Ela.Diga-lhe, p.f. que vai da parte duma grande admiradora.
Valeria Mendez

Anonymous said...

Também fiquei com um nó na garganta ao ler o seu comment no meu blog, no post referente ao DVD da grande Hermínia.
Cheguei a pensar em ir, mas infelizmente só recebi a informação no dia anterior enão tive hipotese de 'contornar' algumas obrigações, e tratar da viagem.Não fôra isso e creia-me, teria ido. Só a Amália e a Hermínia me mereceram no passado viagens propositadas a lisboa!
E fico escandalizada com a ausencia dos 'novos' fadistas, esses mesmos que aproveitam o reportorio da Herminia para subirem na vida. é vergonhoso! Tudo uma cambada de idiotas insensiveis!
Um abraço meu caro Amigo e um Obrigada por ter ido a esse evento especial.
Já encomendei uns quantos DVDs, um para mim e o resto para mandar para amigos em Jerusalem, Beirute, Nice, Perugia, Florença, Suecia, Venezuela. Faço questão que conheçam a grande vedeta que foi (é) Hermínia Silva!

Valeria Mendez

metamórfico said...

Olá Tiago.
Parabéns pelo prémio de melhor letra (para variar). A semana passada perguntei por ti à Maria João Quadros (parece que só não nos encontrámos devido ao aniversário de um familiar teu). Um dia destes será.
Um abraço.

Anonymous said...

O seu artigo no J.de LETRAS sobre o seu encontro com a escritora Lygia Fagundes Telles denota uma vivência extraordinária e ao mesmo tempo é sinal da sua sensibilidade superior.Adorei o texto!

Valeria Mendez

Roberto Iza Valdes said...
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Iza Roberto said...

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