Sunday, January 02, 2005

NÃO SEI, MEU AMOR, NÃO SEI


Como todos os anos, neste também tenho alguns desejos. Todos temos as nossas ambições, por menores que sejam. Um dos meus sonhos é concretizar um disco que andamos a sonhar há uns tempos com a fantástica Beatriz da Conceição. Para mim, ela é das poucas fadistas que me põe os cabelos em pé, que me estilhaça a alma, que me faz o que eu espero do fado - desloca-me de mim. No meio deste sonho onde escrevi tantas palavras para que ela cantasse, quero começar o ano com este "Não sei, meu amor, não sei" como homenagem não só à Beatriz mas a todos aqueles que me deram o privilégio de cantar as palavras que escrevo, porque, para mim, as vozes que me cantam são como co-autoras das palavras que eu escrevo porque é para elas que eu escrevo e porque na sua interpretação, elas me revelam significados escondidos... significados que eu apenas pressentia e que se tornam claros ao ouvi-los cantados. Este post, este blog, as minhas palavras são sempre deles, dos que me cantam. A gratidão é o maior dos sentimentos e aquilo que eu mais peço para 2005 é gratidão, gratidão e discernimento. Se todos os tivermos, meu Deus!, o mundo será melhor! Tenham um óptimo 2005 e para si, Beatriz, simbolizando todas as vozes com que a minha poesia se encontrou, muito obrigado! muito obrigado!, muito obrigado!

NÃO SEI,MEU AMOR, NÃO SEI
tiago torres da silva/ fado maria alice


Não sei...meu amor, não sei
se os poemas que cantei
algum dia foram escritos
ao cantar cada palavra
parecia que a inventava
na tragédia dos meus gritos

Cantei poetas ausentes
cantei os versos das gentes
dos bairros com tradição
desde Alfama à Madragoa
a minha voz foi Lisboa
à procura de um pregão

As palavras dos poetas
feitas de emoções secretas
têm que ser reveladas
e só mesmo quem as sofre
é que pode abrir o cofre
onde elas foram trancadas

Por isso é que eu te repito
que gostava de as ter escrito
mas sabendo que as cantei
a minha alma inquieta
também se sente poeta
não sei... meu amor, não sei

5 comments:

ricardo said...

aprovado, como sempre. aquele abraço

Anonymous said...

Já sabes, fraquejo sempre com os teus poemas para fado. Um disco da Beatriz da Conceição é uma das mais fantásticas promessas do ano novo. Tudo de bom para ti, e, já agora, parabéns atrasados.
miguel innersmile

Tiago Torres da Silva said...

não é promessa, é esperança!

leo valmont said...

Fico muito contente de ver que o teu blog cresceu.
Os teus poemas fazem-me sonhar... Continua a escrever porque vale a pena ler o que escreves... E espero que todos os teus desejos se concretizem, porque mereces que aconteça. Beijinhos da tua já conhecida blogista

cantadeira said...

Este sim, é um POEMA cá dos nossos.Que vontade de cantar, e ao mesmo tempo que medo!
A lucidez é inimiga da felicidade, sabia?
Eu sou lucida, e sei que não devo cantar este poema.
Valeria