sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Flecha



FLECHA
Letra: tiago torres da silva/ Música tradicional hebraica

Intérprete: Né Ladeiras no cd "Da minha voz"

fogo no olhar
iorubá
trago a selva nos braços
ali vais encontrar
o luar
que transforma os pés em passos

iorubá, iorubá
ébano, incenso e ouro
orixá, orixá
búzios o meu tesouro

boca de gengibre
iorubá
sorriso de marfim
as solas dos meus pés
são djembés
que cantam dentro de mim

iorubá, iorubá
ébano, incenso e ouro
orixá, orixá
búzios o meu tesouro

flechas na garganta
iorubá
no sangue uma nação
a pele negra de escrava
esconde a lava
que sai do meu coração

terça-feira, janeiro 18, 2005

A cor do canto



A COR DO CANTO
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Pedro Jóia

Intérprete: Daniela Mercury no cd "Jacarandá"

Quando a noite decidir
que me quer por namorada
eu talvez vá -lhe pedir
uma estrela emprestada
que só me deixe dormir
ao chegar a madrugada

Quando a noite se ocultar
sob a minha pele nua
eu vou poder abraçar
todas as mulheres da rua
que em mim hão-de consagrar
a sua nudez à lua

A noite é você
chamando por mim
na luz de um porquê
que não terá fim
A noite sou eu
quando te acalanto
clareando o breu
na cor do meu canto

Quando a noite oferecer
cinco estrelas da alvorada
teremos de as esconder
entre a pele e a madrugada
cinco pedrinhas a arder
dentro de uma mão fechada

E quando a noite der flor
foi porque você se abriu
entre a pele e o cobertor
no momento em que sentiu
que nenhuma voz tem cor
se o amor não a tingiu

A noite é você
chamando por mim
na luz de um porquê
que não terá fim
A noite sou eu
quando te acalanto
clareando o breu
na cor do meu canto

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Sobre as águas



SOBRE AS ÁGUAS
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo

Intérprete: Pilar Homem de melo no cd "Não quero saber"

Sentada na beira de um cais
olho o infinito, quero mais
há outra vida, outro cais, outra pedra
quem me dera

Rente aos meus pés nús dança o mar
por sobre as águas quero andar
hei-de encontrar-te nas esquinas da cidade
é tão tarde

Sei que te vou reconhecer
rosto perdido na multidão
sei nesse instante também hás-de me ver
na tua mão

domingo, janeiro 02, 2005

Não sei, meu amor, não sei




NÃO SEI,MEU AMOR, NÃO SEI
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música do fado dos sonhos

Intérprete: beatriz da Conceição no show "Meu corpo"
Intérprete: Mário Lundum na música do fado perseguição


Não sei...meu amor, não sei
se os poemas que cantei
algum dia foram escritos
ao cantar cada palavra
parecia que a inventava
na tragédia dos meus gritos

Cantei poetas ausentes
cantei os versos das gentes
dos bairros com tradição
desde Alfama à Madragoa
a minha voz foi Lisboa
à procura de um pregão

As palavras dos poetas
feitas de emoções secretas
têm que ser reveladas
e só mesmo quem as sofre
é que pode abrir o cofre
onde elas foram trancadas

Por isso é que eu te repito
que gostava de as ter escrito
mas sabendo que as cantei
a minha alma inquieta
também se sente poeta
não sei... meu amor, não sei

quinta-feira, dezembro 30, 2004

Deusa mulata



DEUSA MULATA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Chico César

Intérprete: Né Ladeiras no cd "Da minha voz"
Intérprete: Uxia no cd "Cantos da maré"

Se lembrares o tempo em que fui índia
Vais ouvir o grito de cada fera
Linda linda linda
Linda eu era

Eu era fruto
Era nudez
Era um minuto
Que se desfez
Hoje eu sou luto
Erea uma vez

O que é que a mulata tem no pé?
Candon candon candon candon
candomblé

a surpresa de eu ser branca agora diz-te
do grito que no meu coração flui
triste triste triste
triste eu fui

eu sou saudade
uma quimera
mudei de idade
fiquei quem era
sou a cidade
que não se espera

O que é que a mulata tem no pé?
Candon candon candon candon
candomblé

se tu lembras eu fui negra e fui criança
nos olhos trago um sorriso nagô
dança dança dança
dança eu sou

eu era mão
era senzala
era um irmão
era uma fala
uma canção
que não se cala

O que é que a mulata tem no pé?
Candon candon candon candon
candomblé

e agora que sou índia negra branca
cidade senzala mata
deusa deusa deusa
deusa mulata

eu sou um dia
que vai nascer
avé-Maria
igarapé
sou alegria
muito mulher

O que é que a mulata tem no pé?
Candon candon candon candon
candomblé

domingo, dezembro 26, 2004

The end

THE END
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo

Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd "Põe um bocadinho mais alto"

Eu sei que você me entende
ou que já me entendeu
que procura um happy end
como eu

Mas já tive a minha dose
só que agora dá pra ver
vou viver La vie en rose
com você

Vou talvez te dar meu sangue
cada um dá o que pode
num filme de bang-bang
oh my god

E se os dois já estamos nús
um ensina, o outro aprende
vamos apagar a luz
The end!

terça-feira, dezembro 21, 2004

Feita pra dançar



FEITA PRA DANÇAR
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Ricardo Gouveia

Intérprete: Dazkarieh no cd "Dazkarieh"

Dizem que quem tem esp'rança
algum dia há-de alcançar
mas às vezes já me cansa
este tempo de esperar

É indo devagar
que o longe se torna perto
mas a ânsia de chegar
põe-me o passso mais aberto

Grão a grão a galinha
enche o papo até meio
mas a da vizinha
já o tem cheio

Quem sabe urdir um cesto
também vai fazer cem
e mal faço um gesto
abraço alguém

Dizem que quem tem esp'rança
algum dia há-de alcançar
mas às vezes já me cansa
este tempo de esperar
e descubro por vingança
que fui feita pra dançar
mas se não começa a dança
sou capaz de me zangar
que a rosa já foi criança
mas depressa há-de murchar

Quem semeia ventania
há-de colher temporais
mas eu semeio alegria
pra colher um pouco mais

quinta-feira, dezembro 16, 2004

A ilha




A ILHA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Miguel Ramos (Fado Alberto)

Intérprete: Tereza Tarouca no espectáculo "Preço único"

Vim aqui morrer e não sabia
mas foi isso, para isso vim aqui
ah, e se eu pudesse morreria
que eu vim aqui morrer e não morri.

Este mar... este mar onde me afundo
é o mar onde à morte eu tinha sido
o que ela tem por ntraz - o Céu!, o Mundo!
vim morrer e talvez tenha morrido

Não, não morri, não fui capaz
mas este foi o sítio que escolhi
para morrer... para morrer em paz
voltei cá uma vez e não morri

Ficaria feliz meu corpo morto
porque aqui tudo é o que antes era
porque atrás do mar num qualquer porto
existe alguém sentado à minha espera

Ai, amor!, não me esperes nesse cais
que eu não sei quem tu és mas sei de ti
e eu queria ficar, não posso mais,
que eu vim aqui morrer e não morri!

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Amor e uma guitarra



AMOR E UMA GUITARRA
Letra: Tiago Torres da Silva/música: Música: Pilar Homem de Melo

Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd Não quero saber"

luar de uma nova lua
viver inventando sóis
não sei se é de eu ser tua
mas o corpo flutua
ao ser dois

cantar e o riso da plateia
tocar tocando-me a mim
ter uma boa ideia
pousar os pés na areia
ir sem fim

compor comovida por poder aprender
o amor como vida dentro em mim a nascer
compor
amor

amor e uma guitarra
canções - ondas para ti
e o beijo que se agarra
à cor da nossa cara
e sorri

viver, apenas viver
e ser ainda capaz
de me surpreender
com o dia a nascer
ser a paz

compor comovida por poder aprender
o amor como vida dentro em mim a nascer
compor
amor

sexta-feira, dezembro 10, 2004

Sol de Néon



SOL DE NÉON
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pedro Jóia

Intérprete: Pedro Luis e a Parede no cd "Jacarandá"

Tem gente que o luar abriga
E dorme mais do que come
Tenta convencer a barriga
Que o sono adormece a fome
Tem gente que por mais que durma
Não deixa de estar acordada
Sabendo que pertence à turma
Das vidas que não valem nada
É gente de Copacabana
Que faz do jornal édredon
Pra quem tanto faz ir em cana
Ou dormir num sol de néon

Tem gente que vive de noite
Tem putas e tem travestis
Com um corpo de silicone
E alma de buritis
Tem gente que brilha no Centro
Como se a rua fosse um palco
E que a polícia leva dentro
Por um pouco de pó de talco
É gente que abre o sorriso
Com a navalha de um batôn
Sabe que viver é preciso
Na fúria de um sol de néon


Tem gente que fuma maconha
Tem gente que pra ser feliz
Prefere morrer de vergonha
Que não morrer por um triz
De noite tem gente que mata
De noite tem gente que morre
Tem gente que come sucata
E afoga a morte num porre
Tem guris de pau de fora
Tem velhos no Trianon
Que querem roubar numa hora
O brilho de um sol de néon

domingo, dezembro 05, 2004

última varina



ÚLTIMA VARINA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: J. Bragança (Fado das horas)

Intérprete: Mª João Quadros no cd "Maria João Quadros"

Quando a última varina
Se cansar de andar na lota
No dobrar de cada esquina
Vai morrer uma gaivota.

Recordando uma peixeira
No silêncio de um minuto
O mercado da Ribeira
vai vestir um véu de luto.

Quando já não se escutar
O gingar das suas ancas
Eu tenho de as procurar
Entre barcos e tamancas.

E vou onde o Tejo é vaga
Ele corre como um louco,
Rio que em si próprio naufraga
Pra ser mar dali a pouco.

No meu cesto não há peixe
Mas de tanto eu ter cantado
Talvez Lisboa me deixe
Ir apregoar o fado.

Porque uma cidade inteira
Escreveu no meu coração
Que a saudade é uma peixeira
Esquecida do seu pregão.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Invo-canção

INVO-CANÇÃO
Letra e música: Tiago Torres da Silva

Te amar
não te!
amar...

Teu amante
não teu!
amante...

Meu amor
não meu!
amor... amor... amor...

sábado, novembro 27, 2004

Não quero saber



NÃO QUERO SABER
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo

Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd "Não quero saber"

Rua a rua vou sair
pra onde for
sem tocar nenhuma corda
que já sei de cor
dou-me ao mergulhar
ou roubo um beijo ao mar
não quero saber
tenho olhos só pra ver

Porta a porta quero entrar
e sei que vou
sem usar nenhuma roupa
que a moda cansou
ando sem andar
e perco-me a cantar
não quero saber
tenho alma só pra ser

E não quero saber
vem comigo
seguindo a gente
que ninguém quer saber

quarta-feira, novembro 24, 2004

Lisboa pequenina



LISBOA PEQUENINA
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Casal Ribeiro

Intérprete: Mariema no espectáculo "Preço único"
Intérprete: Linda Leonardo no cd "Mistery of fado"

Oh, Lisbos pequenina
és um pregão de varina
a menina dos meus olhos
põe-me um braço na cintura
dá-me um beijo com ternura
veste uma saia de folhos

Pus no dedo uma aliança
mandei vire uma criança
que é filha da Madragoa
outra linda assim não vejo
fui baptizá-la no Tejo
dei-lhe o nome de Lisboa

Lisboa, Lisboa
menina que canta
és uma canção
que o meu coração
leva na garganta
Lisboa, Lisboa
velhinha que ri
és um coração
que a minha canção
só canta pra ti

Ol, Lisboa tão velhinha
quando tu quiseres ser minha
vou queimar uma alcachofra
e tu rezas amiúde
na Senhora da Saúde
pra que o meu peito não sofra

Corri ao ver-te num grito
tão alegre, tão bonito
que parecia a própria vida
era a Amália a cantar
uma marcha popular
que descia a avenida

Lisboa, Lisboa
menina que canta
és uma canção
que o meu coração
leva na garganta
Lisboa, Lisboa
velhinha que ri
és um coração
que a minha canção
só canta pra ti

domingo, novembro 21, 2004

Desamparinho



DESAMPARINHO
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Swami Jr.

Intérprete: Luciana Alves nos shows de Swami Jr
Intérprete: Zélia Duncan no cd "Outra praia"
Intérprete: Mª João Quadros no cd "Fado mulato"

Quando fico só
me dói uma tristeza
mulherando meu olhar

Desvendando o céu
à procura de luz
numa noite sem luar

Se você se vai
me mulato de dor
desconsigo de sorrir

Me vejo mindinha
em passos dorminhosos
me sozinhando ir

Desnasci de ter
me poentei de sol
me fiz noite e me luei

E agora que sou
o silêncio de ser
desaprendo o que ensinei

Mas o amor voltou
nos lábios outro nome
e no peito o teu carinho

Me deixei dormir
ao longo do teu sono
senti um desamparinho

sexta-feira, novembro 19, 2004

A mulher de granito verde



A MULHER DE GRANITO VERDE
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Chico César

Intérprete: Né Ladeiras no cd "da minha voz"

No meu jardim de algas e de sal
onde quem não se afoga morre à sede
repousa linda num banco de coral
a estátua de granito verde

Seria uma princesa, uma criada
ou uma dama?... uma mulher da rua?
não sei porque em granito trabalhada
a mulher verde... verde... está tão nua.

Nua demais pra morrer de frio
nua demais pra sentir vergonha
adormecida no que se esculpiu
sua alma de granito sonha

Ela balança o corpo ao vento
das almas que ao passar trazem o Dia
e ao senti-las a pedra em movimento
parece ir embora... mas não ia

Dança ou sou eu que danço em seu lugar,
sem ir ela segue mundo afora
nua demais pra ficar
e nua demais para ir embora

quarta-feira, novembro 17, 2004

Fado ao deus dará



FADO AO DEUS DARÁ
Letra:Tiago Torres da Silva/ Música: Fontes Rocha

Intérprete: Joana Amendoeira no cd "ao vivo em Lisboa"

Encontrei uma saudade
a pedir esmola na rua
perguntei-lhe: “Tens que idade?”
Ela disse: “Tenho a tua!”

Quando a mão esquerda crescia
à caridade de alguém
se um dos seus olhos sorria
o outro dizia Amén.

Erguia ao céu os dois braços
pedindo uma esmola a Deus
e apressava os seus passos
pra chegar depressa aos meus

Mas deixou-me ao Deus-dará
como um velho que descobre
naquela esmola que dá
uma razão pra ser pobre

Eu percorri a cidade
na ânsia de me ir embora
que quem dá esmola à saudade
nunca mais sabe onde mora

Vivo agora pelas ruas
mais secretas, mais sozinhas
a pedir saudades tuas
a quem tem saudades minhas

segunda-feira, novembro 15, 2004

Dar o dia



DAR O DIA
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Armando Machado (Fado Cigano)
Intérprete: Anamar no cd "M" e no cd "anamar, Né Ladeiras e Pilar ao vivo"

O teu corpo traz a vida
como quem tem reflectida
a luz que as estrelas tecem
olha as pontas dos teus dedos
nelas guardam-se segredos
que só as estrelas conhecem

quando duas mãos se dão
o calor de cada mão
põe as almas a sorrir
mas se esta mão outra afasta
há um tempo que se gasta
uma luz por reflectir

se não a puderes fechar
pelo que tens para me dar
deixa a tua mão fechada
abre-a só ao estar vazia
porque dar-me-ás o dia
quando não tiveres lá nada

sexta-feira, novembro 12, 2004

Gaivotas na Bica

GAIVOTAS NA BICA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Carlos Azevedo

Intérprete: Marcha da Bica

Menina, se fôr à lota
não deixe de se alindar
às vezes uma gaivota
anda perdida do mar

Quando uma gaivota invade
um bairro com tradição
anuncia tempestade
dentro de algum coração

Olha a saudade!
Viva da Costa!
Paga metade
e leva mais uma posta
Um belo fado
pescado à linha
já vem escamado
e amanhado
é fresquinho e não tem espinha
que hoje o fado é congelado
e já nem cheira a sardinha

Menina, se quer um pargo
não tema dormir sozinha
que o pescador anda ao largo
só volta de manhãzinha

Menina, vá lá, náo deixe
que outro rapaz ande à pesca
que de manhã quando há peixe
é que a sardinha está fresca

Olha a saudade!
Viva da Costa!
Paga metade
e leva mais uma posta
Um belo fado
pescado à linha
já vem escamado
e amanhado
é fresquinho e não tem espinha
que hoje o fado é congelado
e já nem cheira a sardinha

Quando um pescador se fica
naufragado pelas chuvas
todas as mulheres da Bica
ficam um pouco viúvas

Na sina de ser peixeira
a Bica apregoa a dor
e ela própria é a traineira
que embala o seu pescador

Olha a saudade!
Viva da Costa!
Paga metade
e leva mais uma posta
Um belo fado
pescado à linha
já vem escamado
e amanhado
é fresquinho e não tem espinha
que hoje o fado é congelado
e já nem cheira a sardinha

quinta-feira, novembro 11, 2004

Grafitti


GRAFITTI
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo

Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd "Põe um bocadinho mais alto"

Grafitti no muro
dedo ensanguentado
um brilho no escuro
do céu pendurado
Uma alma cansada
com medo de tudo
rua escancarada
nas mãos de um miúdo

Gato ou bandido
com a mão no ar
é proibido
pintar

Não sei do que fala
é sonho ou é grito
que a polícia cala
num eco infinito
Talvez poesia
a pedir socorro
na cor que dizia:
se eu não mato, morro

Gato ou bandido
com a mão no ar
é proibido
pintar

Quando a Avenida
encontra o Marquês
estão todos na vida
de ser português
Um branco de gravata
do leste da Europa
um negro, uma mulata
uma puta, um tropa

Gato ou bandido
com a mão no ar
é proibido
pintar

E o menino pintor
vai noutra direcção
pra alterar a cor
dos muros da prisão
Faltou o principal
caiaram-lhe a garganta
Por baixo da cal
ele ainda canta

Gato ou bandido
com a mão no ar
é proibido
pintar