sexta-feira, novembro 19, 2004

A mulher de granito verde



A MULHER DE GRANITO VERDE
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Chico César

Intérprete: Né Ladeiras no cd "da minha voz"

No meu jardim de algas e de sal
onde quem não se afoga morre à sede
repousa linda num banco de coral
a estátua de granito verde

Seria uma princesa, uma criada
ou uma dama?... uma mulher da rua?
não sei porque em granito trabalhada
a mulher verde... verde... está tão nua.

Nua demais pra morrer de frio
nua demais pra sentir vergonha
adormecida no que se esculpiu
sua alma de granito sonha

Ela balança o corpo ao vento
das almas que ao passar trazem o Dia
e ao senti-las a pedra em movimento
parece ir embora... mas não ia

Dança ou sou eu que danço em seu lugar,
sem ir ela segue mundo afora
nua demais pra ficar
e nua demais para ir embora

quarta-feira, novembro 17, 2004

Fado ao deus dará



FADO AO DEUS DARÁ
Letra:Tiago Torres da Silva/ Música: Fontes Rocha

Intérprete: Joana Amendoeira no cd "ao vivo em Lisboa"

Encontrei uma saudade
a pedir esmola na rua
perguntei-lhe: “Tens que idade?”
Ela disse: “Tenho a tua!”

Quando a mão esquerda crescia
à caridade de alguém
se um dos seus olhos sorria
o outro dizia Amén.

Erguia ao céu os dois braços
pedindo uma esmola a Deus
e apressava os seus passos
pra chegar depressa aos meus

Mas deixou-me ao Deus-dará
como um velho que descobre
naquela esmola que dá
uma razão pra ser pobre

Eu percorri a cidade
na ânsia de me ir embora
que quem dá esmola à saudade
nunca mais sabe onde mora

Vivo agora pelas ruas
mais secretas, mais sozinhas
a pedir saudades tuas
a quem tem saudades minhas

segunda-feira, novembro 15, 2004

Dar o dia



DAR O DIA
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Armando Machado (Fado Cigano)
Intérprete: Anamar no cd "M" e no cd "anamar, Né Ladeiras e Pilar ao vivo"

O teu corpo traz a vida
como quem tem reflectida
a luz que as estrelas tecem
olha as pontas dos teus dedos
nelas guardam-se segredos
que só as estrelas conhecem

quando duas mãos se dão
o calor de cada mão
põe as almas a sorrir
mas se esta mão outra afasta
há um tempo que se gasta
uma luz por reflectir

se não a puderes fechar
pelo que tens para me dar
deixa a tua mão fechada
abre-a só ao estar vazia
porque dar-me-ás o dia
quando não tiveres lá nada

sexta-feira, novembro 12, 2004

Gaivotas na Bica

GAIVOTAS NA BICA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Carlos Azevedo

Intérprete: Marcha da Bica

Menina, se fôr à lota
não deixe de se alindar
às vezes uma gaivota
anda perdida do mar

Quando uma gaivota invade
um bairro com tradição
anuncia tempestade
dentro de algum coração

Olha a saudade!
Viva da Costa!
Paga metade
e leva mais uma posta
Um belo fado
pescado à linha
já vem escamado
e amanhado
é fresquinho e não tem espinha
que hoje o fado é congelado
e já nem cheira a sardinha

Menina, se quer um pargo
não tema dormir sozinha
que o pescador anda ao largo
só volta de manhãzinha

Menina, vá lá, náo deixe
que outro rapaz ande à pesca
que de manhã quando há peixe
é que a sardinha está fresca

Olha a saudade!
Viva da Costa!
Paga metade
e leva mais uma posta
Um belo fado
pescado à linha
já vem escamado
e amanhado
é fresquinho e não tem espinha
que hoje o fado é congelado
e já nem cheira a sardinha

Quando um pescador se fica
naufragado pelas chuvas
todas as mulheres da Bica
ficam um pouco viúvas

Na sina de ser peixeira
a Bica apregoa a dor
e ela própria é a traineira
que embala o seu pescador

Olha a saudade!
Viva da Costa!
Paga metade
e leva mais uma posta
Um belo fado
pescado à linha
já vem escamado
e amanhado
é fresquinho e não tem espinha
que hoje o fado é congelado
e já nem cheira a sardinha

quinta-feira, novembro 11, 2004

Grafitti


GRAFITTI
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo

Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd "Põe um bocadinho mais alto"

Grafitti no muro
dedo ensanguentado
um brilho no escuro
do céu pendurado
Uma alma cansada
com medo de tudo
rua escancarada
nas mãos de um miúdo

Gato ou bandido
com a mão no ar
é proibido
pintar

Não sei do que fala
é sonho ou é grito
que a polícia cala
num eco infinito
Talvez poesia
a pedir socorro
na cor que dizia:
se eu não mato, morro

Gato ou bandido
com a mão no ar
é proibido
pintar

Quando a Avenida
encontra o Marquês
estão todos na vida
de ser português
Um branco de gravata
do leste da Europa
um negro, uma mulata
uma puta, um tropa

Gato ou bandido
com a mão no ar
é proibido
pintar

E o menino pintor
vai noutra direcção
pra alterar a cor
dos muros da prisão
Faltou o principal
caiaram-lhe a garganta
Por baixo da cal
ele ainda canta

Gato ou bandido
com a mão no ar
é proibido
pintar

quarta-feira, novembro 10, 2004

Mar ausente


MAR AUSENTE
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Carlos Gonçalves

Intérprete: Nuno da Camara Pereira no cd "Fado à minha maneira"

A lua já vai alta e tu sozinha
cansada de esperar
e de seres minha
lembras as promessas que te fiz
não viste quem eu era
continuas à espera
e é essa espera que te faz feliz
Os beijos ao deitar
eram beijos, nada mais
tu ias alto-mar
sem eu sair do cais
As preces do teu corpo
para que eu não me esconda
és tu voltando ao porto
quando eu me tornei onda

Não vás à vidraça
nada aconteceu
o vulto que passa
posso não ser eu
não venhas prá rua
a cada momento
não digas "sou tua"
se só te ouve o vento

A lua já vai alta e eu sozinho
saudoso de sentir o teu carinho
regresso aos teus braços infantis
sem qualquer explicação
uma nova paixão
e os teus abraços fazem-me feliz
os beijos que te dou
são beijos, nada mais
do mar que em mim ficou
partilho os vendavais
Escuta a tempestade
que dentro de mim mora
se não fosse a saudade
eu nunca me ia embora

Não vás à vidraça
nada aconteceu
o vulto que passa
posso não ser eu
não venhas prá rua
a cada momento
não digas "sou tua"
se só te ouve o vento

segunda-feira, novembro 08, 2004

Último beijo

ÚLTIMO BEIJO
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Pilar Homem de Melo

Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd "Último beijo"

O amor é uma casa
a arder no fundo do mar
e eu um céu em brasa
hei-de cair, hei-de me afogar

O amor é um brinquedo
o medo da saída
o cofre sem segredo
a roca da bela adormecida

quem apagou a luz?
quem me deu o último beijo?
vê os meus olhos nús
dançam à meia-luz
não vejo

O sol incendiou-se
morreu a nossos pés
como se um beijo fosse
o canto das marés

O amor é uma menina
um búzio vindo do sol
que ecoa e ilumina
náufrago olhando a luz de um farol

O amor agora é Vénus
planeta a brincar de estrela
a dor é o de menos
o pior é eu não poder vê-la

quem apagou a luz?
quem me deu o último beijo?
vê os meus olhos nús
dançam à meia-luz
não vejo

O sol incendiou-se
morreu a nossos pés
como se um beijo fosse
o canto das marés

O meu último beijo
no teu último beijo
não acendas a luz
se vês, eu vejo

domingo, novembro 07, 2004

O meu palácio


O MEU PALÁCIO
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Jorge Palma

Intérprete: Rita Ribeiro no cd "Deixo-me ir atrás do fado"

Pedra a pedra, construí um palácio
para o meu primeiro amor
pus um tapete vermelho
e esperei-o como um espelho
que reflecte a preto e branco
amei-o tanto
sem cor

O príncipe chegou
e quando pressentiu
que eu talvez fosse pedra
fugiu

Frase a frase construí um palácio
para o meu segundo amor
entre as rimas de um soneto
um retrato a branco e preto
que nos julgava mortais
amei-o mais
que a dor

O príncipe chegou
e quando pressentiu
que eu talvez fosse um verso
fugiu

No meu corpo vou construindo um palácio
como quem vê o sol pôr
feito apenas dos meus passos
dos desejos e abraços
que nos fazem não ter fim
amo-te sim
amor

O príncipe chegou
e quando pressentiu
que eu era uma mulher
sorriu

sexta-feira, novembro 05, 2004

Vou trair a solidão



VOU TRAIR A SOLIDÂO
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Fado Porto (DP)

Intérprete: Mª João Quadros no cd "Maria João Quadros"
Intérprete: Julieta Estrela no Fado Acácio

Vou trair a solidão
e depois pôr a traição
no lugar da tua voz
por tristeza ou por cansaço
vou em busca do abraço
que me faz esquecer de nós

Talvez num breve segundo
se possa mudar o mundo
talvez, eu digo talvez...
mas sem saber se é verdade
que a solidão é saudade
do que a saudade me fez

O vulto que eu não olhei,
as mãos que eu não agarrei,
o corpo a que eu disse não...
já nem sei em que acredito
mas entre o dito e o não dito
vou trair a solidão

Não sei se a tua lembrança
é o vento que me lança
em ruas sem sol nem lua,
sem saber se isto é verdade
não vou trair a saudade
que tenho de ser só tua

quarta-feira, novembro 03, 2004

O cair da noite


O CAIR DA NOITE
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo

Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd "Não quero saber"
Intérprete: Pilar e Né Ladeiras no cd "Anamar, Né ladeiras e Pilar ao vivo"

Lua noite estrela
vou pró sul
onda tô a vê-la
azul

noite branca vento
vou pró mar
novo sentimento
luar

noite tempestade
vou dormir
cala-me a saudade
sorrir

noite atrás da lua
vou voltar
noite toda nua
sonhar

segunda-feira, novembro 01, 2004

Diadorim


DIADORIM
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo

Perguntei à nuvem
se ela era céu

adormeci
ela choveu

Chamei o sol
quis-lhe falar

ele fugiu
caíu no mar

Gritei à lua
se ela era noite

ela corou
fez-se minguante

Diadorim adormeceu dentro de mim
céu flor sol querubim
Diadorim adormeceu por fim
homem que és mulher em mim

domingo, outubro 31, 2004

O Tejo nasceu na Bica

O TEJO NACEU NA BICA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Carlos Azevedo

ntérprete: Marcha da Bica

Há quem diga que o rio Tejo
é filho de uma viela
pintada num azulejo
que em cada manhã eu vejo
sempre que espreito à janela

Por isso é que a minha rua
é de todas a mais rica
pois alguém ouviu a lua
a jurar de rua em rua
que o Tejo nasceu na Bica

Os marinheiros que se fizeram ao mar
levaram as vielas mundo fora
a caravela era um bairro popular
onde a tristeza é mal que não demora
Os mastros eram arcos enfeitados
o brilho das estrelas um balão
e o barulho das ondas eram fados
de uma sereia que se fez fadista em vão

Há quem diga a viva voz
não há gente como esta
porque baste dois de nós
cantarem a uma voz
para a Bica estar em festa

E há quem diga que Lisboa
de tão contente que fica
esquece o peixe que apregoa
esquece mesmo que é Lisboa
e vem dar o braço à Bica

Os marinheiros que se fizeram ao mar
levaram as vielas mundo fora
a caravela era um bairro popular
onde a tristeza é mal que não demora
Os mastros eram arcos enfeitados
o brilho das estrelas um balão
e o barulho das ondas eram fados
de uma sereia que se fez fadista em vão

sábado, outubro 30, 2004

Beijo alentejano


BEIJO ALENTEJANO
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Carlos Gonçalves

Intérprete: Nuno da camara Pereira no cd "Fado à minha maneira"
Intérprete: Nuno da camara Pereira e Vitorino no show "NCP no coliseu"

Dizem que no Alentejo
Tudo é feito devagar
E assim que termina a sesta
Só se pensa em descansar

E a gente não entende
A razão de tanta pressa
Se depois de cada noite
Há um dia que começa

Um beijo no Alentejo
É dado devagarinho
Que a gente sabe que um beijo
É muito mais que um carinho
Por isso é que quem cá vem
Tem pena de não ficar
Ao ver o gosto que tem
Um beijo dado devagar

Quando uma estrada começa
Os homens pensam assim
Vá devagar ou depressa
Um dia chega-se ao fim

E quando as mulheres mondam
olhando mais para além
Às vezes perdem os olhos
Na pressa que o amor tem

Um beijo no Alentejo...

Não foge a água da fonte
O sol demora a nascer
E até a erva do monte
Leva o seu tempo a crescer

Quem vier venha com calma
Porque olhando a nossa gente
Só lhe pode ver a alma
Quem não olhar de repente

Um beijo no Alentejo...

sexta-feira, outubro 29, 2004

Maré cheia



MARÉ CHEIA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Anamar

Intérprete: Anamar no cd "Transfado"

Sempre que o mar anuncia
uma nova tempestade
toda a maré se esvazia
todo o meu corpo se invade
daquele noite tão fria

E mergulhamos os dois
sem medo do temporal
como se o mar fosse um sol
a brilhar num vendaval
e os nossos olhos azuis
reluzem em cada vaga
como se dois corpos nús
se unissem em gota d'água
que numa onda de luz
afoga as ondas da mágoa

Quando a maré cede ao vento
o doce cair na areia
descubro em ti o relento
que protege quem se enleia.
Meu amor acolhe o vento
que eu acolho a maré cheia

quinta-feira, outubro 28, 2004

Eu não sabia



EU NÃO SABIA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Anamar e Armando Vieira Pinto (Fado Maldição)

Intérprete: Anamar no cd "Transfado"

Nem por ti nem por ninguém
subi ao monte mais alto
ia só por ser além
e a cada passo que eu dava
ouvia a voz do basalto
nas minhas veias de lava

Meu amor eu não sabia
que por trás do teu olhar
existe uma luz que é dia
existe um azul que é mar
meu amor eu não sabia

Enfrentei raios, trovões
dos meus pés fiz cada passo
da minha voz fiz canções
não temi lobos nem feras
e não morri de cansaço
à procura de quem eras

Meu amor eu não sabia
que por trás do teu olhar
existe uma luz que é dia
existe um azul que é mar
meu amor eu não sabia

Numa noite tão agreste
vi o sol dentro da lua
no abraço que me deste
e a noite adormeceu
descobrindo que sou tua
ao saber que tu és meu

Meu amor eu não sabia
ao cruzar o teu olhar
que um azul acontecia
como onda que abre o mar
meu amor eu não sabia

quarta-feira, outubro 27, 2004

País Oceano



PAÍS OCEANO
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Ricardo Cruz e Anamar

Intérprete: Anamar no cd "Transfado"

O meu país é o mar
o meu país quem mo dera
porque esquecemos nadar
este chão é uma quimera
na ânsia de navegar
e as ondas todas à espera

Gaivota que bate a asa
e que vai pra nunca mais
à procura de uma casa
na rota de outros beirais
o rosto que nunca esqueces
o amor que nunca trais
o barco que anda aos ésses
sem nunca sair do cais

Sou um país-oceano
sou um país-ocidente
uma alma de cigano
que vai pró mar de repente
debaixo de um sol profano
as ondas todas são gente

Gaivota que bate a asa
e que vai pra nunca mais
à procura de uma casa
na rota de outros beirais
o rosto que nunca esqueces
o amor que nunca trais
o barco que anda aos ésses
sem nunca sair do cais

terça-feira, outubro 26, 2004

Fado em bom português


FADO EM BOM PORTUGUÊS
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Alfredo Marceneiro (Fado Laranjeiro)

Intérprete: Miguel Ramos no espectáculo "Casa de fado"

Portantos... uma canção
para a conseguir cantar
pode faltar coração
tem de se saber falar

Estas novas raparigas
ganham pra mais de cem contos
mas a sfadistas intigas
é que o sabem todo... e prontos

Mal ponho um disco a tocar
fico cheio de saudades
mas se hei-de ouvir a chorar
por certo tu também há-des

Quem canta o fado sentido
pode às vezes ver-se à rasca
para cantar o corrido
fora da luz de uma tasca

Porque é à luz de uma vela
com vinho do carrascão
que o fadista abre a jinela
pra dentro do coração

Inté já me têm dito
alguns de vossemecês
que o fado é hoje erudito
e fala bom português

segunda-feira, outubro 25, 2004

A meio-caminho

A MEIO CAMINHO
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo

Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd "Põe um bocadinho mais alto"

Vivo a meio-caminho entre Marte e Lisboa
A bordo de um vaivém ou nua numa canoa
Queimada das estrelas ou da chama do fogão
Perdendo a gravidade em dois tragos de Esporão.
Às vezes dou comigo em reuniões lá em casa
A enrolar cigarros nos segredos da NASA
Sempre a meio-caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.

Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar

Vivo a meio-caminho entre a feira de Cascais
E as etiquetas caras dos centros comerciais
Ás vezes de Manhattan, outras vezes talibã
Vestindo uma burka num exclusivo Pierre Cardin
De dia em Ipanema, de noite no Bairro Alto
Nem sempre de havaianas nem de sapatos de salto
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.

Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar

Vivo a meio caminho entre as nove e as dez
Parada ou correndo o mundo de lés-a-lés
Nuns dias anarquista, noutros dias liberal
Muitas vezes quaresma, muitas vezes carnaval
Numa hora quero chuva, na outra deito-me ao sol
Numas coisas Amália, noutras puro rock’n roll
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra

Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar

Vivo a meio caminho entre um quadro de Rembrandt
E o primeiro raio que surge de manhã
Num ponto equidistante entre Cristo e Gandhi
Nem sempre Bethoveen e nem sempre Rita Lee
Numas vezes sou careta, noutras vezes imoral
Num instante feliz, noutro etcétera e tal
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra

Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar

A MEIO CAMINHO (versão para o Brasil)
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo

Vivo a meio-caminho entre Marte e a Lagoa
A bordo de um vaivém ou nu na minha canoa
Queimado das estrelas ou da chama do fogão
Perdendo a gravidade em dois goles de ilusão.
Às vezes dou comigo em reuniões lá em casa
A enrolar cigarros nos segredos da NASA
Sempre a meio-caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.

Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar

Vivo a meio-caminho entre a feira de Ipanema
E as griffes destinadas às estrelas de cinema
Ás vezes de Manhattan, outras vezes talibã
Vestindo uma burka num exclusivo Pierre Cardin
De dia na Paulista, de noite em Copacabana
Nem sempre de sapato e nem sempre de havaiana
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.

Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar

Vivo a meio caminho entre as nove e as dez
Parado ou correndo o mundo de lés-a-lés
Nuns dias anarquista, noutros dias liberal
Muitas vezes quaresma, muitas vezes carnaval
Numa hora quero chuva, na outra deito-me ao sol
Numas coisas Cartola, noutras puro rock’n roll
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra

Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar

Vivo a meio caminho entre um quadro de Rembrandt
E o primeiro raio que surge de manhã
Num ponto equidistante entre Cristo e Gandhi
Nem sempre Bethoveen e nem sempre Rita Lee
Numas vezes sou careta, noutras vezes imoral
Num instante feliz, noutro etcétera e tal
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra

Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar

domingo, outubro 24, 2004

Beijei as tuas mãos


BEIJEI AS TUAS MÃOS
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Carlos Gonçalves

Intérprete: Mª João Quadros no cd "maria João Quadros"

Beijei as tuas mãos na Beira-praia
fui barco em tempestade de alto mar
tu lutavas agarrado à minha saia
e eu já só teimava em naufragrar

e as minhas mãos encheram-se de mar!

Beijei as tuas mãos de olhos fechados
no teu sono abri o meu caminho
fiquei perdida entre lençóis bordados
e então adormeci devagarinho

e as minhas mãos encheram-se de linho!

Beijei as tuas mãos com olhos gastos
por pouco não morri nesse momento
porque os teus beijos todos eram castos
e eu queria o nosso amor feito ao relento

e as minhas mãos encheram-se de vento!

Beijei as tuas mãos... beijei-te todo
e em cada beijo a mais eu descobri
que se eras mar de sal, és mar de lodo
só não descubro porque não fugi

e as minhas mãos encheram-se de ti!

sábado, outubro 23, 2004

Rosa de lava



ROSA DE LAVA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Vasco Ribeiro Casais

Intérprete: Dazkarieh

Ser onda do mar
fez-me perceber
que posso acabar
sem ter de morrer

Ser rosa de lava
deixou-me supor
que quem me assassinava
agia por amor

Ser raio de luz
abriu-me ao prazer
de me descer da cruz
antes de nascer

Ser alma de fera
uivando de cio
salvou-me da quimera
que dói por um fio

Entre ser e não ser
não sei qual será a escolha
mas talvez vá escolher
um’alma novinha em folha

A seiva nas veias
- ser flor por um triz -
alimenta as ideias
do ser na raiz

A sombra das horas
que o mundo rodou
desamarra as escoras
do tempo que sou

O sal no olhar
ungiu-me da fé
que faz de mim um mar
pobre de maré

Mar ou labareda
que o fogo semeia
construindo a vereda
que a vida incendeia

--------

O sal no olhar
abriu-me ao prazer
de ser onda do mar
antes de nascer

A sombra de luz
deixou-me ser flor
e salvou-me da cruz
que dói por amor

A seiva nas veias
fez-me perceber
que posso ter ideias
sem ter de morrer

Uivando de fé
quem me assassinava
incendeia a maré
com rosas de Lava

Entre ser e não ser
não sei qual será a escolha
mas talvez vá escolher
um’alma novinha em folha