O TEJO NACEU NA BICA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Carlos Azevedo
ntérprete: Marcha da Bica
Há quem diga que o rio Tejo
é filho de uma viela
pintada num azulejo
que em cada manhã eu vejo
sempre que espreito à janela
Por isso é que a minha rua
é de todas a mais rica
pois alguém ouviu a lua
a jurar de rua em rua
que o Tejo nasceu na Bica
Os marinheiros que se fizeram ao mar
levaram as vielas mundo fora
a caravela era um bairro popular
onde a tristeza é mal que não demora
Os mastros eram arcos enfeitados
o brilho das estrelas um balão
e o barulho das ondas eram fados
de uma sereia que se fez fadista em vão
Há quem diga a viva voz
não há gente como esta
porque baste dois de nós
cantarem a uma voz
para a Bica estar em festa
E há quem diga que Lisboa
de tão contente que fica
esquece o peixe que apregoa
esquece mesmo que é Lisboa
e vem dar o braço à Bica
Os marinheiros que se fizeram ao mar
levaram as vielas mundo fora
a caravela era um bairro popular
onde a tristeza é mal que não demora
Os mastros eram arcos enfeitados
o brilho das estrelas um balão
e o barulho das ondas eram fados
de uma sereia que se fez fadista em vão
letras k escrevi p/ a música de alz. espíndola,andré mehmari,carlos gonçalves,chico césar,chico saraiva, cust.castelo,d.gouveia,dina,diogo clemente,fábio tagliaferri,fernando girão,fernando júdice,francis hime,iara rennó,ivan lins,jorge palma,josé cid,josé peixoto,julio pereira,luiz felipe gama,mingo rangel de andrade,olivia byington,paulo paz,pedro pinhal,pedro jóia,pedro luis,pilar homem de melo,rabih abou kalil,rão kyao,rui veloso,swami jr.,tetê espíndola,zeca baleiro e zé paulo becker e.o.
domingo, outubro 31, 2004
sábado, outubro 30, 2004
Beijo alentejano
BEIJO ALENTEJANO
Letra: Tiago Torres da Silva/Música: Carlos Gonçalves
Intérprete: Nuno da camara Pereira no cd "Fado à minha maneira"
Intérprete: Nuno da camara Pereira e Vitorino no show "NCP no coliseu"
Dizem que no Alentejo
Tudo é feito devagar
E assim que termina a sesta
Só se pensa em descansar
E a gente não entende
A razão de tanta pressa
Se depois de cada noite
Há um dia que começa
Um beijo no Alentejo
É dado devagarinho
Que a gente sabe que um beijo
É muito mais que um carinho
Por isso é que quem cá vem
Tem pena de não ficar
Ao ver o gosto que tem
Um beijo dado devagar
Quando uma estrada começa
Os homens pensam assim
Vá devagar ou depressa
Um dia chega-se ao fim
E quando as mulheres mondam
olhando mais para além
Às vezes perdem os olhos
Na pressa que o amor tem
Um beijo no Alentejo...
Não foge a água da fonte
O sol demora a nascer
E até a erva do monte
Leva o seu tempo a crescer
Quem vier venha com calma
Porque olhando a nossa gente
Só lhe pode ver a alma
Quem não olhar de repente
Um beijo no Alentejo...
sexta-feira, outubro 29, 2004
Maré cheia

MARÉ CHEIA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Anamar
Intérprete: Anamar no cd "Transfado"
Sempre que o mar anuncia
uma nova tempestade
toda a maré se esvazia
todo o meu corpo se invade
daquele noite tão fria
E mergulhamos os dois
sem medo do temporal
como se o mar fosse um sol
a brilhar num vendaval
e os nossos olhos azuis
reluzem em cada vaga
como se dois corpos nús
se unissem em gota d'água
que numa onda de luz
afoga as ondas da mágoa
Quando a maré cede ao vento
o doce cair na areia
descubro em ti o relento
que protege quem se enleia.
Meu amor acolhe o vento
que eu acolho a maré cheia
quinta-feira, outubro 28, 2004
Eu não sabia

EU NÃO SABIA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Anamar e Armando Vieira Pinto (Fado Maldição)
Intérprete: Anamar no cd "Transfado"
Nem por ti nem por ninguém
subi ao monte mais alto
ia só por ser além
e a cada passo que eu dava
ouvia a voz do basalto
nas minhas veias de lava
Meu amor eu não sabia
que por trás do teu olhar
existe uma luz que é dia
existe um azul que é mar
meu amor eu não sabia
Enfrentei raios, trovões
dos meus pés fiz cada passo
da minha voz fiz canções
não temi lobos nem feras
e não morri de cansaço
à procura de quem eras
Meu amor eu não sabia
que por trás do teu olhar
existe uma luz que é dia
existe um azul que é mar
meu amor eu não sabia
Numa noite tão agreste
vi o sol dentro da lua
no abraço que me deste
e a noite adormeceu
descobrindo que sou tua
ao saber que tu és meu
Meu amor eu não sabia
ao cruzar o teu olhar
que um azul acontecia
como onda que abre o mar
meu amor eu não sabia
quarta-feira, outubro 27, 2004
País Oceano
PAÍS OCEANO
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Ricardo Cruz e Anamar
Intérprete: Anamar no cd "Transfado"
O meu país é o mar
o meu país quem mo dera
porque esquecemos nadar
este chão é uma quimera
na ânsia de navegar
e as ondas todas à espera
Gaivota que bate a asa
e que vai pra nunca mais
à procura de uma casa
na rota de outros beirais
o rosto que nunca esqueces
o amor que nunca trais
o barco que anda aos ésses
sem nunca sair do cais
Sou um país-oceano
sou um país-ocidente
uma alma de cigano
que vai pró mar de repente
debaixo de um sol profano
as ondas todas são gente
Gaivota que bate a asa
e que vai pra nunca mais
à procura de uma casa
na rota de outros beirais
o rosto que nunca esqueces
o amor que nunca trais
o barco que anda aos ésses
sem nunca sair do cais
terça-feira, outubro 26, 2004
Fado em bom português
FADO EM BOM PORTUGUÊS
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Alfredo Marceneiro (Fado Laranjeiro)
Intérprete: Miguel Ramos no espectáculo "Casa de fado"
Portantos... uma canção
para a conseguir cantar
pode faltar coração
tem de se saber falar
Estas novas raparigas
ganham pra mais de cem contos
mas a sfadistas intigas
é que o sabem todo... e prontos
Mal ponho um disco a tocar
fico cheio de saudades
mas se hei-de ouvir a chorar
por certo tu também há-des
Quem canta o fado sentido
pode às vezes ver-se à rasca
para cantar o corrido
fora da luz de uma tasca
Porque é à luz de uma vela
com vinho do carrascão
que o fadista abre a jinela
pra dentro do coração
Inté já me têm dito
alguns de vossemecês
que o fado é hoje erudito
e fala bom português
segunda-feira, outubro 25, 2004
A meio-caminho
A MEIO CAMINHO
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo
Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd "Põe um bocadinho mais alto"
Vivo a meio-caminho entre Marte e Lisboa
A bordo de um vaivém ou nua numa canoa
Queimada das estrelas ou da chama do fogão
Perdendo a gravidade em dois tragos de Esporão.
Às vezes dou comigo em reuniões lá em casa
A enrolar cigarros nos segredos da NASA
Sempre a meio-caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.
Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio-caminho entre a feira de Cascais
E as etiquetas caras dos centros comerciais
Ás vezes de Manhattan, outras vezes talibã
Vestindo uma burka num exclusivo Pierre Cardin
De dia em Ipanema, de noite no Bairro Alto
Nem sempre de havaianas nem de sapatos de salto
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.
Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio caminho entre as nove e as dez
Parada ou correndo o mundo de lés-a-lés
Nuns dias anarquista, noutros dias liberal
Muitas vezes quaresma, muitas vezes carnaval
Numa hora quero chuva, na outra deito-me ao sol
Numas coisas Amália, noutras puro rock’n roll
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra
Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio caminho entre um quadro de Rembrandt
E o primeiro raio que surge de manhã
Num ponto equidistante entre Cristo e Gandhi
Nem sempre Bethoveen e nem sempre Rita Lee
Numas vezes sou careta, noutras vezes imoral
Num instante feliz, noutro etcétera e tal
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra
Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
A MEIO CAMINHO (versão para o Brasil)
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo
Vivo a meio-caminho entre Marte e a Lagoa
A bordo de um vaivém ou nu na minha canoa
Queimado das estrelas ou da chama do fogão
Perdendo a gravidade em dois goles de ilusão.
Às vezes dou comigo em reuniões lá em casa
A enrolar cigarros nos segredos da NASA
Sempre a meio-caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.
Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio-caminho entre a feira de Ipanema
E as griffes destinadas às estrelas de cinema
Ás vezes de Manhattan, outras vezes talibã
Vestindo uma burka num exclusivo Pierre Cardin
De dia na Paulista, de noite em Copacabana
Nem sempre de sapato e nem sempre de havaiana
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.
Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio caminho entre as nove e as dez
Parado ou correndo o mundo de lés-a-lés
Nuns dias anarquista, noutros dias liberal
Muitas vezes quaresma, muitas vezes carnaval
Numa hora quero chuva, na outra deito-me ao sol
Numas coisas Cartola, noutras puro rock’n roll
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra
Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio caminho entre um quadro de Rembrandt
E o primeiro raio que surge de manhã
Num ponto equidistante entre Cristo e Gandhi
Nem sempre Bethoveen e nem sempre Rita Lee
Numas vezes sou careta, noutras vezes imoral
Num instante feliz, noutro etcétera e tal
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra
Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo
Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd "Põe um bocadinho mais alto"
Vivo a meio-caminho entre Marte e Lisboa
A bordo de um vaivém ou nua numa canoa
Queimada das estrelas ou da chama do fogão
Perdendo a gravidade em dois tragos de Esporão.
Às vezes dou comigo em reuniões lá em casa
A enrolar cigarros nos segredos da NASA
Sempre a meio-caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.
Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio-caminho entre a feira de Cascais
E as etiquetas caras dos centros comerciais
Ás vezes de Manhattan, outras vezes talibã
Vestindo uma burka num exclusivo Pierre Cardin
De dia em Ipanema, de noite no Bairro Alto
Nem sempre de havaianas nem de sapatos de salto
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.
Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio caminho entre as nove e as dez
Parada ou correndo o mundo de lés-a-lés
Nuns dias anarquista, noutros dias liberal
Muitas vezes quaresma, muitas vezes carnaval
Numa hora quero chuva, na outra deito-me ao sol
Numas coisas Amália, noutras puro rock’n roll
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra
Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio caminho entre um quadro de Rembrandt
E o primeiro raio que surge de manhã
Num ponto equidistante entre Cristo e Gandhi
Nem sempre Bethoveen e nem sempre Rita Lee
Numas vezes sou careta, noutras vezes imoral
Num instante feliz, noutro etcétera e tal
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra
Guerrilheira/ Estrangeira/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
A MEIO CAMINHO (versão para o Brasil)
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo
Vivo a meio-caminho entre Marte e a Lagoa
A bordo de um vaivém ou nu na minha canoa
Queimado das estrelas ou da chama do fogão
Perdendo a gravidade em dois goles de ilusão.
Às vezes dou comigo em reuniões lá em casa
A enrolar cigarros nos segredos da NASA
Sempre a meio-caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.
Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio-caminho entre a feira de Ipanema
E as griffes destinadas às estrelas de cinema
Ás vezes de Manhattan, outras vezes talibã
Vestindo uma burka num exclusivo Pierre Cardin
De dia na Paulista, de noite em Copacabana
Nem sempre de sapato e nem sempre de havaiana
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra.
Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio caminho entre as nove e as dez
Parado ou correndo o mundo de lés-a-lés
Nuns dias anarquista, noutros dias liberal
Muitas vezes quaresma, muitas vezes carnaval
Numa hora quero chuva, na outra deito-me ao sol
Numas coisas Cartola, noutras puro rock’n roll
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra
Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
Vivo a meio caminho entre um quadro de Rembrandt
E o primeiro raio que surge de manhã
Num ponto equidistante entre Cristo e Gandhi
Nem sempre Bethoveen e nem sempre Rita Lee
Numas vezes sou careta, noutras vezes imoral
Num instante feliz, noutro etcétera e tal
Sempre a meio caminho entre a paz e a Terra
Ergo a minha espada porque estamos em guerra
Guerrilheiro/ Estrangeiro/ Em qualquer lugar/ A distância é o meu lar
domingo, outubro 24, 2004
Beijei as tuas mãos
BEIJEI AS TUAS MÃOS
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Carlos Gonçalves
Intérprete: Mª João Quadros no cd "maria João Quadros"
Beijei as tuas mãos na Beira-praia
fui barco em tempestade de alto mar
tu lutavas agarrado à minha saia
e eu já só teimava em naufragrar
e as minhas mãos encheram-se de mar!
Beijei as tuas mãos de olhos fechados
no teu sono abri o meu caminho
fiquei perdida entre lençóis bordados
e então adormeci devagarinho
e as minhas mãos encheram-se de linho!
Beijei as tuas mãos com olhos gastos
por pouco não morri nesse momento
porque os teus beijos todos eram castos
e eu queria o nosso amor feito ao relento
e as minhas mãos encheram-se de vento!
Beijei as tuas mãos... beijei-te todo
e em cada beijo a mais eu descobri
que se eras mar de sal, és mar de lodo
só não descubro porque não fugi
e as minhas mãos encheram-se de ti!
sábado, outubro 23, 2004
Rosa de lava
ROSA DE LAVA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Vasco Ribeiro Casais
Intérprete: Dazkarieh
Ser onda do mar
fez-me perceber
que posso acabar
sem ter de morrer
Ser rosa de lava
deixou-me supor
que quem me assassinava
agia por amor
Ser raio de luz
abriu-me ao prazer
de me descer da cruz
antes de nascer
Ser alma de fera
uivando de cio
salvou-me da quimera
que dói por um fio
Entre ser e não ser
não sei qual será a escolha
mas talvez vá escolher
um’alma novinha em folha
A seiva nas veias
- ser flor por um triz -
alimenta as ideias
do ser na raiz
A sombra das horas
que o mundo rodou
desamarra as escoras
do tempo que sou
O sal no olhar
ungiu-me da fé
que faz de mim um mar
pobre de maré
Mar ou labareda
que o fogo semeia
construindo a vereda
que a vida incendeia
--------
O sal no olhar
abriu-me ao prazer
de ser onda do mar
antes de nascer
A sombra de luz
deixou-me ser flor
e salvou-me da cruz
que dói por amor
A seiva nas veias
fez-me perceber
que posso ter ideias
sem ter de morrer
Uivando de fé
quem me assassinava
incendeia a maré
com rosas de Lava
Entre ser e não ser
não sei qual será a escolha
mas talvez vá escolher
um’alma novinha em folha
sexta-feira, outubro 22, 2004
Sereia

SEREIA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Jaime Cavalheiro (Fado menor do Porto)
Intérprete: Ney Matogrosso e Né Ladeiras no cd "Da minha voz"
Beira-mar à beira-areia
o azul do mar chamou-me
e na voz de uma sereia
ouvi dizer o meu nome
Beira-mar à beira-amor
perguntei-lhe quem mechama
ela disse que era a dor
que não pode amar mas ama
Beira-mar à beira-porto
gritou: a minha alma é tua
mas quando olhei o seu corpo
foi-se embora semi-nua
Beira a beirar solidão
durante dias chamei-a
e no mar do coração
ao longe escuto a sereia
quarta-feira, outubro 20, 2004
Fado calado
FADO CALADO
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Anamar
Intérprete: Anamar no cd "M"
Alma que voz
um fado mudo
nós
tudo
Canto o abismo
imenso
baptismo
silêncio
Voz dos mantras
sagrada
alma que cantas
calada
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Anamar
Intérprete: Anamar no cd "M"
Alma que voz
um fado mudo
nós
tudo
Canto o abismo
imenso
baptismo
silêncio
Voz dos mantras
sagrada
alma que cantas
calada
terça-feira, outubro 19, 2004
Vou num rio
VOU NUM RIO
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Armando Machado (Fado Licas)
Intérprete: Anamar no cd "Transfado"
Intérprete: Rita Ribeiro no cd "Deixo-me ir atrás do fado"
Intérprete: Né Ladeiras com música tradicional arménia no cd "Da minha voz"
Vou num rio pró mar e eu já fui rio
e o que já fui ainda sou agora
como fui água nunca sinto frio
porque fui mar nunca me vou embora
Vou sendo ar a revelar sementes
e beijo nuvens como sendo irmãs
levada pelas brisas ascendentes
respiro o céu de todas as manhãs
Filha do sol, do fogo e da saudade
vou sendo as vidas a que Deus me deu
e ao ir nesse fluir da eternidade
de fogo e sol eu visto as cores do céu
Mas por ter sido pedra, rocha e mar
sinto nas pedras o meu ser vazio
e agora como Deus me deu sonhar
sonho ser pedra... rocha... e vou num rio
segunda-feira, outubro 18, 2004
Ser só tua

SER SÓ TUA
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo
Intérprete: Lara Li no cd "Último beijo"
Não me olhes como se eu fosse
uma princesa
um doce
uma beleza
de capa da Elle
pega apenas
nas minhas pernas morenas
vem expiar as minhas penas
no carmim da minha pele
Não esperes de mim uma escrava
um modelo
nem lava
nem gelo para derreter
um carinho
o batôn no colarinho
uma garrafa de vinho
pra brindar e pra esquecer
Não me ames como se eu fugisse
ou ficasse
nem miss
nem classe
nem mulher da rua
o destino
é o riso de um menino
baiá rerundô rerundô
por saber que eu sou só tua
Não me ames como se eu fugisse
ou ficasse...
domingo, outubro 17, 2004
Sozinha pelas ruas
SOZINHA PELAS RUAS
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo
Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd "Não quero saber"
Eugénia Melo e Castro no cd "poPortugal"
Eu ando nas ruas apenas pelo prazer de andar
um copo a mais às vezes faz-me tropeçar
sozinha vejo a noite a deitar-se entre nós dois
hei-de adormecer, dormirei depois
Eu saio pelas ruas só pra poder respirar
um beijo a mais às vezes faz faltar o ar
sozinha deixo a noite enrolada nos lençóis
hei-de voltar, voltarei depois
Eu grito nas ruas porque quero incomodar
um erro a mais às vezes faz alguém olhar
sozinha roubo à noite os acordes das canções
hei-de cantar, cantarei depois
sábado, outubro 16, 2004
Adormecer o fado
ADORMECER O FADO
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pedro Jóia
Intérprete: Joanna no cd "Todo acústico"
Você entra nos meus sonhos
pedindo pra eu te sonhar
mas sempre que eu abro os olhos
você foi noutro lugar
Assim que eu desapareço
você quer sonhar comigo
então eu não adormeço
só pra não lhe dar abrigo
Vim te buscar
adormeci
ao acordar
já não te vi
Na insônia que me invade
com cigarros e café
é o medo da saudade
que me vai mantendo em pé
Mas o sono acaba vindo
quando o ciúme adormece
e meu amor é tão lindo
porque o sonho não te esquece
Vim te buscar
adormeci
ao acordar
já não te vi
Se a minha paixão encontra
os teus olhos de menino
só o meu sonho é que conta
pra fazer o meu destino
Por isso não adormeça
se eu não estiver a seu lado
porque um sonho que se esqueça
pode adormecer o fado
Vim te buscar
adormeci
ao acordar
já não te vi
Vim te buscar
adormeci
mas vou sonhar
que estás aqui
sexta-feira, outubro 15, 2004
Shah
SHAH
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Anamar
Intérprete: Anamar no cd "M"
Intérprete: Anamar no cd "Anamar, Né Ladeiras e Pilar ao vivo"
Intérprete: Né Ladeiras no cd "Anamar, Né Ladeiras e Pilar ao vivo"
Dos tempos em que fui terra
trago ideias como cores
o poder que ali se encerra
é o aroma que há nas flores
Dos tempos em que fui mar
trago ideias como espuma
sempre a fazê-las quebrar
nas areias uma a uma
Dos tempos em que sou gente
trago ideias como abraços
trazê-las é ir em frente
no caminho dos meus passos
Dos tempos em que for estrela
trago ideias como luz
e no espanto de trazê-la
é que a vida se traduz
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Anamar
Intérprete: Anamar no cd "M"
Intérprete: Anamar no cd "Anamar, Né Ladeiras e Pilar ao vivo"
Intérprete: Né Ladeiras no cd "Anamar, Né Ladeiras e Pilar ao vivo"
Dos tempos em que fui terra
trago ideias como cores
o poder que ali se encerra
é o aroma que há nas flores
Dos tempos em que fui mar
trago ideias como espuma
sempre a fazê-las quebrar
nas areias uma a uma
Dos tempos em que sou gente
trago ideias como abraços
trazê-las é ir em frente
no caminho dos meus passos
Dos tempos em que for estrela
trago ideias como luz
e no espanto de trazê-la
é que a vida se traduz
quinta-feira, outubro 14, 2004
Por um Cristo Nagô
POR UM CRISTO NAGÔ
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Chico César
Intérprete: Chico César e Né Ladeiras no cd "Da minha voz"
Ouvi da boca de um erê
Ouviste o quê? Ouviste o quê?
Ilê aiê guerra
Ilê aiê dor
Ilê aiê terra
Ilê aiê não tem cor
Eu vou sair na procissão
eu vou, eu vou
levo um Cristo no coração
que nunca ressuscitou
Ai, eu vou rezando, vou chorando
ai eu!, Nossa Senhora da Dor
ai eu vou chorando, vou levando
um Cristo morto em cada andor
Ouvi da boca de um erê
ouviste o quê? Ouviste o quê?
Ilê aiê guerra
Ilê aiê dor
Ilê aiê terra
Ilê aiê não tem cor
Eu vou sair lá no terreiro
eu vou, eu vou
e quem vai tocar pandeiro
vai ser um Cristo Nagô
Ah eu vou rezando, vou cantando
ah eu! Nossa Rainha do Mar
ah eu vou cantando, vou dançando
pra Cristo ressuscitar
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Chico César
Intérprete: Chico César e Né Ladeiras no cd "Da minha voz"
Ouvi da boca de um erê
Ouviste o quê? Ouviste o quê?
Ilê aiê guerra
Ilê aiê dor
Ilê aiê terra
Ilê aiê não tem cor
Eu vou sair na procissão
eu vou, eu vou
levo um Cristo no coração
que nunca ressuscitou
Ai, eu vou rezando, vou chorando
ai eu!, Nossa Senhora da Dor
ai eu vou chorando, vou levando
um Cristo morto em cada andor
Ouvi da boca de um erê
ouviste o quê? Ouviste o quê?
Ilê aiê guerra
Ilê aiê dor
Ilê aiê terra
Ilê aiê não tem cor
Eu vou sair lá no terreiro
eu vou, eu vou
e quem vai tocar pandeiro
vai ser um Cristo Nagô
Ah eu vou rezando, vou cantando
ah eu! Nossa Rainha do Mar
ah eu vou cantando, vou dançando
pra Cristo ressuscitar
quarta-feira, outubro 13, 2004
Memórias Antigas

MEMÓRIAS ANTIGAS
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Chico César
Um cigarro na Paulista
com mar a perder de vista
no que os olhos hão-de abrir
um silêncio de garôa
que me faz lembrar Lisboa
no instante de partir
Um murmúrio de cantigas
lembra memórias antigas
dos tempos que andei no mar
à procura de uma ideia
que um disfarce de sereia
não me deixou alcançar
Da janela do meu carro
lanço a ponta do cigarro
para o meio do capim
que desfaz um fogo de ânsia
porque o tempo e a distância
estão guardados dentro em mim
Vou de barco na Paulista
quem for velho que desista
vou de barco e vou à proa
pois no fim da avenida
há uma esquina perdida
noutra rua de Lisboa
terça-feira, outubro 12, 2004
Canção triste

CANÇÃO TRISTE
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Pilar Homem de Melo
Intérprete: Pilar Homem de Melo no cd "põe um bocadinho mais alto"
Hoje a manhã está triste
ou fui eu que acordei
sem ter a certeza se tu partiste
ou se sonhei
Eu sei que o sonho é feito de mistério
voz sumida
e que o difícil é escutar em stereo
sonho e vida
Sou um planeta em busca de estrelas
lua lua luz
mas por agora já me aquece vê-las
nos teus olhos nús
Hoje a manhã está fria
ou fui eu que escutei
uma voz que desde sempre ouvia
mas não liguei
Eu sei que agora é hora de acordar
ir embora
mas por enquanto deixo-me ficar
está frio lá fora
Sou um planeta em busca de estrelas
lua lua luz
mas por agora já me aquece vê-las
nos teus olhos nús
segunda-feira, outubro 11, 2004
Os homens que eu amei
OS HOMENS QUE EU AMEI
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Carlos Gonçalves
Intérprete: Tereza Tarouca
Os homens que eu amei
amei-os um a um
a todos me entreguei
e não amei nenhum
Os homens que eu amei
amei-os um a um
por todos eu chorei
e não me amou nenhum
Os homens que eu amei
amei-os um a um
a todos eu matei
e não morreu nenhum
Os homens que eu amei
amei-os um a um
por todos me matei
não me chorou nenhum
Letra: Tiago Torres da Silva/ Música: Carlos Gonçalves
Intérprete: Tereza Tarouca
Os homens que eu amei
amei-os um a um
a todos me entreguei
e não amei nenhum
Os homens que eu amei
amei-os um a um
por todos eu chorei
e não me amou nenhum
Os homens que eu amei
amei-os um a um
a todos eu matei
e não morreu nenhum
Os homens que eu amei
amei-os um a um
por todos me matei
não me chorou nenhum
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